A célula de carga faz a leitura aproximada de quanta carga a ponte está levantando e envia essa informação ao limitador de carga: o dispositivo que corta o funcionamento da ponte quando o limite é atingido. Parece simples, mas a especificação envolve variáveis que, quando ignoradas, resultam em leituras imprecisas, sensores danificados por sobrecarga e sistemas de proteção que não protegem.
Neste guia, mostramos as quatro informações que definem a escolha, o cálculo de capacidade com exemplo prático, os modelos disponíveis e os erros de dimensionamento que mais encontramos em campo.

Como o sistema de pesagem funciona
O conjunto tem sempre dois protagonistas: a célula de carga, que mede o esforço no cabo de aço, e o limitador de carga, que recebe o sinal e determina a quantidade máxima que a ponte pode carregar, fazendo o corte de funcionamento ao chegar nesse limite. Um display pode complementar o sistema, apresentando visualmente o peso da carga (disponível em 1, 3 e 5 polegadas). Ele funciona somente com o sistema de célula de carga.
Para especificar o limitador, é preciso saber a capacidade da ponte, se a operação precisa do sistema de cabo frouxo e quantos comandos se deseja desarmar. Entre os modelos de limitador estão o OMS 160, o OMS 820/820 PLUS (único que atende o sistema de cabo frouxo, que corta o movimento quando o cabo começa a enrolar para não danificar a ponte) e o QZX-A, único limitador com célula de carga acoplada, que funciona apenas no movimento de subida, mede até 10 toneladas e não pode passar de 2,5 t por cabo.
As 4 perguntas que definem a especificação
- Qual a capacidade da ponte? É a base de todo o cálculo.
- Quantos cabos de aço descem no moitão (quantas voltas)? Define a carga efetivamente lida por cabo.
- Qual a espessura do cabo de aço? Cada modelo de célula atende uma faixa específica de diâmetro.
- A talha tem cabo fixo? Determina quais famílias de célula podem ser usadas.
Quem já especificou pesagem para ponte rolante sabe: quando o cliente responde essas quatro perguntas logo no primeiro contato, a cotação sai certa de primeira. Quando não responde, o risco de retrabalho, e de devolução de equipamento, é alto.
O cálculo da capacidade da célula, passo a passo
A capacidade necessária da célula é a capacidade máxima da ponte dividida pelo número de cabos que descem no moitão.
Exemplo prático: uma ponte com capacidade máxima de 10 toneladas em que o cabo dá 4 voltas no moitão precisa de uma célula que suporte 2,5 t (10 ÷ 4). Para escolher a célula mais adequada, a capacidade deve ser maior ou igual ao peso lido no cabo de aço, nesse caso, a célula ideal seria uma de 3 toneladas, porque é maior e a mais próxima de 2,5 t.
Além da carga, é necessário verificar a espessura do cabo de aço em que a célula será instalada, pois existem vários modelos para diferentes espessuras. Uma célula correta em capacidade, mas incompatível com o diâmetro do cabo, não fixa corretamente. E leitura de célula mal fixada não é confiável.
Cabo fixo e a nomenclatura do cabeamento
Se o cliente informar que a ponte tem nomenclatura 4/2, essa ponte não terá cabo fixo, pois as duas pontas do cabo são enroladas por tambores diferentes. Cabo fixo corresponde a configurações como 2/1 ou 4/1. Essa informação é decisiva porque a maioria das células de cabo é instalada justamente no trecho fixo. Os eixos dinamométricos são as únicas células que não precisam de cabo fixo na ponte para funcionar.
Modelos e faixas de aplicação
RH-EC, 1 a 5 toneladas
Célula em liga de aço para cabos de aço de 4,5 a 19 mm. Capacidades de 1, 3 e 5 t, sensibilidade de 2,0 mV/V, precisão de ±0,5% F.S., temperatura de operação de -30 a +70 ºC, grau de proteção IP67/IP68, cabo de 5 m e certificações GB/T 7551-1997 e OIML R 60. Sobrecarga segura de 150% e máxima de 200% do fundo de escala. Excitação recomendada de 5 a 12 V (máxima de 15 V).
RH-BC, 5 a 15 toneladas
Mesmo princípio construtivo, em liga de aço 40Cr, para cabos de 7 a 23 mm. Capacidades de 5, 7,5, 10 e 15 t, com as mesmas classes de precisão, proteção IP67/IP68 e certificação OIML R 60. É a evolução natural quando a capacidade da ponte, ou a carga por cabo, passa do alcance da RH-EC.
CRN-EX, eixo dinamométrico
O eixo dinamométrico substitui um pino estrutural da talha e mede a carga diretamente no eixo. O CRN-EX atende capacidade máxima de 4 t, em liga de aço e aço inoxidável, com proteção IP67, cabo de 6 m e excitação de 12 a 24 VDC. É a solução para pontes sem cabo fixo, mas o uso é mais criterioso, porque a espessura do encaixe da ponte precisa ser especificamente igual ao encaixe da célula.
ES1/ES2, células tipo S
Células em formato S com capacidades de 2 a 10 t (ES1) e de 0,3 a 3 t (ES2). Atendem aplicações de tração em que a célula é instalada em linha com o esforço.
ET-1 e SCNB-2, capacidades maiores
A ET-1 cobre capacidades de 5, 10, 20 e 30 t. A SCNB-2 atende de 5 a 15 t em cabos de aço de 16 a 38 mm, faixa de diâmetro que as linhas RH não alcançam.
Condições de operação que afetam a confiabilidade
Antes de fechar a especificação, confirme o ambiente: temperatura de trabalho dentro da faixa do modelo (nas linhas RH, -30 a +70 ºC; no CRN-EX, -10 a +40 ºC), grau de proteção compatível com poeira e umidade do local e tensão de excitação correta (5 a 12 V recomendados nas linhas RH; 12 a 24 VDC no CRN-EX). A ligação elétrica segue padrão de cores: vermelho para excitação+, preto para excitação-, verde para sinal+ e branco para sinal-.
Respeitar os limites de sobrecarga do sensor é o que preserva a precisão ao longo dos anos. As células listadas suportam sobrecarga segura de 150% e máxima de 200% do fundo de escala. São margens de proteção, não de operação.
Erros comuns que vemos em campo
Dimensionar pela capacidade da ponte, ignorando o número de cabos do moitão. É o erro mais frequente. Uma ponte de 10 t com 4 cabos no moitão lê 2,5 t por cabo, quem instala uma célula de 10 t nesse cabo trabalha com o sensor no início da escala, onde a leitura perde resolução. Quem instala uma de 2 t, opera o sensor além do limite. Nos dois casos, a pesagem deixa de ser confiável.
Ignorar a espessura do cabo de aço. Célula com capacidade certa e faixa de diâmetro errada não fixa corretamente no cabo. A RH-EC atende de 4,5 a 19 mm, a RH-BC de 7 a 23 mm e a SCNB-2 de 16 a 38 mm. A informação do diâmetro precisa vir junto com a da capacidade.
Especificar célula de cabo em ponte sem cabo fixo. Ponte 4/2 não tem trecho fixo de cabo. Nesses casos, o caminho é o eixo dinamométrico, verificando com atenção a compatibilidade do encaixe.
Esquecer o sistema de cabo frouxo na escolha do limitador. Quando a carga é lida como negativa (cabo começando a enrolar), só o OMS 820 faz o corte. Se a operação tem esse risco e o limitador escolhido não atende, a proteção fica incompleta.
Perguntas frequentes
Qual a capacidade de célula de carga eu preciso?
Divida a capacidade máxima da ponte pelo número de cabos que descem no moitão e escolha a célula com capacidade igual ou imediatamente superior ao resultado.
O que é cabo fixo e por que importa?
É o trecho de cabo que não é enrolado pelo tambor (configurações 2/1, 4/1 etc.), onde a célula de cabo é instalada. Pontes 4/2 não têm cabo fixo, nelas, usa-se eixo dinamométrico.
Célula de carga substitui o limitador?
Não. A célula mede; o limitador é quem corta o funcionamento da ponte no limite. Os dois funcionam em conjunto.
Célula de carga serve para pesagem comercial?
O sistema faz a leitura aproximada da carga içada, com função de proteção e conferência operacional. Para medição precisa do peso no gancho, o equipamento indicado é o dinamômetro, acoplado no moitão, com capacidades de 1 a 200 t conforme o modelo.
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